Clipping

www.acessa.com

Sindicalistas anunciam o rompimento com o Conselho Municipal de Transportes

Carolina Gomes Repórter
 
Em coletiva, nesta quarta-feira, 30 de junho, os líderes do Sindicato dos Engenheiros, (Senge), Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Diretório Central dos Estudantes (DCE) informaram que os sindicatos estão se desligando do Conselho Municipal de Transportes. Eles informaram que não participarão da reunião que decidirá sobre o reajuste da passagem do transporte coletivo em Juiz de Fora, nesta quinta-feira, 1º de julho.
Segundo o coordenador geral do Comitê Contra o Aumento da Passagem, Oleg Ambrov, há uma série de pontos discordantes com relação ao aumento proposto, começando pela planilha apresentada, que é confusa. Além disso, Ambrov afirma que o Conselho não tem cumprido seu papel de origem. "O Conselho não serve para nada, a não ser para legitimar a vontade da Prefeitura. Por isso, vamos nos abster de participar."
Ambrov lembra ainda que o Ministério Público apresentou o valor de R$ 1,7459. Ele acredita que o valor não entrará na votação de amanhã. "Não somos a favor de votar valor, somos contra qualquer reajuste." Segundo o coordenador do comitê, a próxima ação do mesmo será o encaminhamento de um abaixo-assinado, solicitando à Câmara Municipal que abra uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o transporte coletivo em Juiz de Fora. "Queremos a abertura da caixa-preta do transporte público", declara.
De acordo com o presidente do Senge, Carlos Alberto Joupert, há várias ações que poderiam ser tomadas para melhorar a qualidade do transporte, como a ativação da linha férrea, principalmente para a Zona Norte. Ele questiona ainda o fato de a gratuidade de alguns passageiros ser discriminada na planilha de custos, já que, de acordo com a Lei Orgânica do Município, os usuários pagantes não podem arcar com as despesas dos não pagantes.
A reunião para discussão do aumento da passagem acontece nesta quinta-feira, 1º de julho a portas fechadas, na Escola de Governo. "Não sei o porquê dessa reunião fechada. O que a prefeitura tem para esconder?", ressalta Ambrov.
Manifestação de estudantes
Os estudantes fizeram uma manifestação contra o aumento da passagem de ônibus. Eles saíram da Universidade Federal de Juiz de Fora e foram até a Câmara Municipal. Conforme um dos organizadores do protesto, Luã Cupolilo, o objetivo é alertar a população para o reajuste da passagem. "Não vamos aceitar qualquer reajuste."
Na coletiva, a coordenadora geral do DCE, Fabíola Paulino, informou que houve uma adesão da população ao movimento. "Fomos questionados sobre a ausência do prefeito, que ainda não se pronunciou publicamente sobre o caso."  
 
 
ÔNIBUS URBANO  MP pede suspensão de votação de reajuste FABÍOLA COSTA E FLÁVIA LOPES Repórteres
Os promotores de Direito do Consumidor, Plínio Lacerda, e de Defesa do Patrimônio Público, Paulo César Ramalho, ajuizaram ontem medida cautelar para suspender a terceira tentativa de votação do aumento das passagens de ônibus pelo Conselho Municipal de Transportes, marcada para hoje às 18h30. O pedido será apreciado, provavelmente, pela juíza substituta Sônia Jordana, já que a titular da Vara da Fazenda Pública Municipal, Ana Maria Lammoglia Jabour, saiu de férias ontem.
A Prefeitura foi procurada e disse que não foi notificada. O posicionamento é que a reunião está mantida até segunda ordem.
As gratuidades são o principal argumento usado pelos promotores para a ação. Lacerda ressaltou o fato de usuários pagantes continuarem subsidiando gratuidades de 23 categorias da cidade, prática que estaria contrariando a Lei Orgânica do Município. No entendimento do Ministério Público (MP), entre as categorias incluídas, apenas idosos, funcionários dos Correios e auditores fiscais estariam amparados por lei federal e, policiais militares, por lei estadual. A estimativa é que cerca de 20% dos passageiros são beneficiados com o não pagamento.
Na última reunião do conselho, realizada quarta-feira passada, o promotor apresentou parecer técnico sobre a planilha de cálculo tarifário. Estudo feito por analista do MP e professores da Faculdade de Engenharia da UFJF apontou que o valor da tarifa deveria ser de R$ 1,7459, sem considerar o Custo de Gerenciamento Operacional (CGO).
A cifra é menor do que as apresentadas pela Secretaria de Transportes e Trânsito (Settra): R$ 1,82 e R$ 1,85, sem e com CGO, respectivamente. Na ocasião, a votação foi suspensa devido a confusão de estudantes, que invadiram a reunião em protesto contra o reajuste.
Ontem, três entidades que participam do Conselho Municipal de Transportes, o Diretório Central do Estudantes (DCE), a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Sindicato dos Engenheiros (Senge), decidiram romper com o órgão e não participar da votação hoje, caso ela ocorra. Segundo o represente da CUT Oleg Abramov, há discordância em relação à forma de cálculo e condução da votação.
Outro motivo é o fato de a proposta de votação do congelamento da tarifa, apresentada no último encontro, não ter sido considerada. Entre as alternativas de não participar da reunião e votar pelo menor valor da tarifa, Abramov considera a primeira opção mais coerente.
A coordenadora geral do DCE, Fabiola Paulino, reclamou da qualidade e da escassez da frota, enquanto o representante do Senge, Carlos Alberto Joppert, considerou que a planilha que embasa o aumento dá margem a “discussões intermináveis”, com “valores questionáveis e difíceis de serem checados”. A intenção é promover um abaixo-assinado reivindicando a investigação do sistema de transporte público municipal e encaminhá-lo à Câmara Municipal.
Protesto Pela manhã, cerca de 70 estudantes universitários protestaram contra o aumento da passagem, no pórtico Norte da UFJF. Os alunos fecharam a saída de carros para o Bairro São Pedro por cerca de dez minutos. Em seguida, interromperam a entrada de veículos na universidade para os que vinham da Cidade Alta, pelo mesmo período. Com faixas e palavras de ordem, os estudantes seguiram em passeata em direção à Câmara Municipal, ocupando metade da pista do anel viário e das vias de acesso ao Centro.
 

Posição do PT de Juiz de Fora é destaque na imprensa

Tribuna de Minas, Juiz de Fora, dia 29 de maio:

Petistas de JF pregam candidatura própria

Na contramão da direção nacional do PT, o diretório do partido em Juiz de Fora baixou uma resolução defendendo o lançamento da candidatura própria ao Governo de Minas. O documento, assinado pela comissão executiva municipal, convoca a militância para comparecer às prévias do próximo domingo, quando será escolhido o candidato da legenda na sucessão mineira. O ex-ministro de Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, e o ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, estão no páreo. Para os petistas de Juiz de Fora, longe de causar divisão dos filiados, “as prévias representam a união do partido em torno da construção” de uma alternativa para o estado.

Na resolução, o PT de Juiz de Fora critica a gestão tucana em Minas e prega a retomada do desenvolvimento econômico e social. “Acreditamos que este processo político reafirma a necessidade de uma candidatura própria do nosso partido para fazer frente ao desgoverno tucano do PSDB de Aécio (Neves, ex-governador) e (Antônio) Anastasia (governador) que durante anos impediu o desenvolvimento social e econômico de Minas Gerais.” Noutro trecho, os petistas defende a necessidade de reverter a atual situação do estado, “tão afetado pelo choque de indiferença do PSDB”.

O documento não traz nenhuma menção à políticas de alianças. O senador e pré-candidato ao Governo, Hélio Costa (PMDB), que aguarda uma sinalização do PT para uma dobradinha em Minas, também não foi lembrado. Além dos dois pré-candidatos petistas no estado, apenas a candidato do partido à Presidência, Dilma Rousseff, é mencionada na condição de futura presidente. “A população que elegeu o presidente Lula e elegerá Dilma espera isso (candidatura própria em Minas) do PT.” A declaração de apoio a Dilma é seguida de uma alfinetada na cúpula da legenda em Brasília. “Queremos votar em outubro num candidato petista para o Palácio da Liberdade. Que a escolha do PT mineiro seja soberana.”

Margarida lança pré-candidatura

Da Tribuna de Minas. 26/02/2010 Sob aplausos de cerca de 700 pessoas, entre militantes do PT, lideranças comunitárias e representantes do partido na cidade e na região, a ex-reitora da UFJF, Margarida Salomão, lançou, ontem, sua pré-candidatura a deputa federal. O evento, realizado no Sindicato dos Têxteis, contou com a presença do vice-presidente da legenda em Minas, deputado estadual André Quintão, dos vereadores de Juiz de Fora, Flávio Cheker - pré-candidato a deputado estadual - e Roberto Cupolillo (Betão) e de outros pré-candidatos petistas a uma cadeira na Assembleia Legislativa, vindos inclusive de cidades vizinhas. Citando Fernando Pessoa, Margarida lembrou da disputa para a Prefeitura em 2008, afirmando que “quem quer passar além do Bojador tem que passar além da dor”. “Aprendi muito com a campanha para a Prefeitura, e uma das coisas que aprendi foi que se não defendermos o direito das mulheres de fazer política não vamos avançar”, declarou. http://www.tribunademinas.com.br/geral/geral40.php

Políticos juizforanos lançam pré-candidaturas à Câmara Federal

Site da Acessa Repórter: Clecius Campos http://www.acessa.com/cidade/arquivo/noticias/2010/02/26-candidatos/ Há pouco mais de cinco meses da data limite para o registro de candidatos ao cargo de deputado federal, o lançamento de pré-candidaturas à Câmara Federal já movimenta a cidade. Embora pareça distante, o cientista político Paulo Roberto Figueira Leal afirma que a movimentação é natural neste período do ano. "As disputas proporcionais, que elegem os representantes do legislativo, têm essa característica. Neste momento, os políticos estão lançando seus nomes, para saber se são viáveis. Dependendo dos arranjos partidários e dos blocos de alianças, as candidaturas podem não ser concretizadas." Na manhã deste sábado, 27 de fevereiro, a ex-candidata à Prefeitura de Juiz de Fora em 2008, Margarida Salomão, lançou sua pré-candidatura ao legislativo, pelo Partido dos Trabalhadores (PT). "Esta não é uma decisão pessoal. A ala do PT com a qual tenho vinculação achou viável minha candidatura, diante do desempenho apresentado em 2008. O grupo entende que meu nome tem grande peso em termos de representação na cidade e que minha campanha objetivou temas de desenvolvimento ligados também à região, nas últimas eleições. Acredito que é uma oportunidade boa e importante, para que a cidade e a região tenham uma representação comprometida com uma sociedade justa e desenvolvida." Outro candidato que dá como lançada sua pré-candidatura à Câmara Federal é o atual vereador de Juiz de Fora, Júlio Gasparette (PMDB). O legislador só espera a convenção para que seu nome seja definitivamente posto. "O PMDB acredita que a Zona da Mata está vazia de representação e pensa que é necessário um político na região que dê também suporte à possível candidatura de Hélio Costa. Nesse sentido, aceito o desafio e me considero pré-candidato." O já deputado federal Júlio Delgado (PSB) afirma que sua pré-candidatura é natural, uma vez que ele é o único representante do diretório mineiro do partido na Câmara. "Ainda temos que submeter meu nome à convenção partidária. Como já estou no cargo, espero que possa continuar tendo o reconhecimento pelo trabalho que executo." Sobre a disputa que já começa a se configurar, Delgado espera que Juiz de Fora possa aumentar a qualidade da representação na Câmara Federal. "Vejo toda a candidatura viável, em termo de qualidade eleitoral, como potencial de apoio. Com o número de eleitores que temos, por volta de 370 mil, podemos eleger três deputados juizforanos", opina. Margarida prefere não comentar o perfil dos possíveis concorrentes. "O quadro ainda apresenta-se pouco definido. Não sabemos bem quem está na corrida. A nossa preocupação é elaborar uma campanha e uma gama de propostas que interessem à cidade e à região." Para Figueira Leal, a quantidade de cadeiras na Câmara Federal que podem ser preenchidas por juizforanos é uma incógnita. "Na última eleição para o mesmo cargo, quase metade dos votos válidos dos juizforanos foi destinada a candidatos de outras regiões. Do ponto de vista quantitativo, é possível eleger três candidatos, mas à medida que não se sabe o índice de abstenções, nem a preferência por políticos de fora da cidade, é arriscado dizer um número."

Sob pressão

A secretária de Assistência Social, Silvana Barbosa, há cerca de 30 dias no cargo, foi enfaticamente questionada pelos vereadores, sobretudo em razão da falta de respostas conclusivas na audiência pública de ontem, e também pela transferência de projetos da área social para outras instâncias. Os vereadores criticaram, principalmente, a competência da secretaria de Educação sobre as creches e da de Esportes sobre o programa Bom de bola, bom de escola.

Novo debate

A falta de conclusão levou o peemedebista José Sóter Figueirôa a propor uma nova reunião, dentro de um mês, com a participação do que chamou de atores sociais que não foram convidados para o evento de ontem. O líder do Governo, Isauro Calais, e a secretária, Silvana Barbosa, concordaram com a proposta, mas enfatizaram que só poderiam dar uma resposta depois de conversarem com o prefeito Custódio Mattos.

Curso comunitário deve ser retomado em maio

A secretária de Assistência Social, Silvana Barbosa, reúne-se hoje com a equipe responsável pelo Curso Pré-Vestibular Comunitário e pelo Curso Preparatório para Concursos (CPC II), a fim de discutir a viabilidade de reiniciar as aulas na segunda quinzena de maio, e não em agosto, como ela havia anunciado. A promessa foi feita, ontem, ao fim de três horas de audiência pública realizada na Câmara Municipal. Na sessão, os vereadores defenderam a retomada imediata do curso comunitário e fizeram duras críticas sobre a redução e a suspensão temporária de projetos sociais pela Prefeitura, problema divulgado pela Tribuna no último sábado. Os representantes do Legislativo destacaram o avanço do Sistema Único de Assistência Social (Suas), modelo de gestão participativa que está sendo adotado na cidade, mas questionaram a interrupção de projetos e o prejuízo causado a mais de dez mil pessoas. “Se é para retomar os projetos, por que interromperam? Tudo bem fazermos uma correção de rota. Mas, desta vez, o choque de gestão foi tão grande que acabou por matar aqueles que deveriam preservar”, afirmou Flávio Cheker (PT), ao referir-se a suspensão do “JF nos Trilhos da Paz” e dos CPC I e II. Wanderson Castelar (PT) disse que, em nome da economia, o corte dos projetos desmantela uma estrutura social construída há anos. “Os projetos sociais de Juiz de Fora, mesmo com as suas deficiências, eram espelho para outras cidades.” Rodrigo Mattos, líder do PSDB, admitiu que a administração municipal errou ao não dar continuidade aos cursinhos comunitários, mas refutou a generalização dos casos. “Não é correto dizer que nada está sendo feito. O “Poupança jovem”, por exemplo, vai revolucionar a questão da assistência social em Juiz de Fora.” Mattos refere-se ao projeto do Governo estadual que prevê atendimento de cinco mil jovens de 15 a 21 anos matriculados no primeiro ano do ensino médio. Além de participar de oficinas culturais, eles terão debitados em uma poupança R$ 1 mil por ano, dinheiro que receberão na conclusão da educação básica. “Os projetos dos governos federal e estadual são muito bem-vindos, mas têm que ser entendidos como projetos complementares”, rebateu Figuerôa (PMDB). Questões relativas à população de rua, o futuro da Amac, a indecisão sobre a implantação do Restaurante Popular também foram discutidas e devem voltar à pauta em 30 dias, quando os conselhos municipais serão chamados ao debate.

Termina sem avanços 3ª rodada de negociação

A terceira rodada de discussões da campanha salarial, na manhã de ontem, deixou frustrados mais uma vez representantes dos servidores públicos municipais. A proposta dos dirigentes dos sindicatos dos Servidores Públicos (Sinserpu), dos Professores (Sinpro), dos Médicos e dos Engenheiros (Senge) de definirem primeiro o índice de reajuste antes de passar para as demandas específicas de cada categoria acabou não prevalecendo. "Queremos começar assegurando o reajuste pelo IPCA (cerca de 6%), conforme previsto em lei aprovada pela Câmara", afirmou Flávio Bitarello, coordenador-geral do Sinpro. O secretário de Administração e Recursos Humanos, Vítor Valverde, reagiu e argumentou que há possibilidade de ganhos financeiros, mas não de forma linear para todo o funcionalismo. "Temos onde avançar, mas não é de forma linear. Posso afirmar que conversando com cada categoria poderemos ter ganhos, inclusive, financeiros." Ele agendou para hoje durante o dia uma série de conversas em separado com cada uma das categorias. Somente no início da noite é que todos voltarão à mesa de negociações conjuntamente. A Prefeitura não antecipou quais propostas específicas vai apresentar a cada grupo específico, mas é certo que aqueles com menores salários serão beneficiados. Na reunião de ontem, Vítor Valverde chegou a afirmar que a determinação do prefeito Custódio Mattos (PSDB) é para priorizar quem ganha menos. Outros aspecto que será contemplado envolve as progressões nas carreiras. Já em relação ao reajuste salarial propriamente dito, o secretário foi enfático: "As circunstâncias não nos permitem negociar nem o IPCA, mas ressalto que este Governo quer manter o diálogo com o servidor." Ele também pediu aos sindicalistas para repensarem a hipótese de greve, que pode ser deflagrada amanhã, quando as categorias fazem assembleia conjunta. "Se há diálogo, não podemos parar e impor prejuízo à cidade. Estamos tratando tudo com muita clareza e pedimos apenas para pensarem um pouco." Mesmo a contragosto, os representantes de todos os sindicatos concordaram com as negociações específicas agendadas para hoje. Eles exigiram apenas que uma nova reunião conjunta fosse feita antes de amanhã. A insistência do Governo em não avançar na negociação do índice foi duramente criticada pelos sindicalistas. "A Prefeitura tem condição de recompor nossos salários. É uma decisão muito mais política do que econômica. O que há é intransigência por parte da administração", disparou Bitarello. Também representando o Sinpro, o vereador e sindicalista Roberto Cupolillo (Betão-PT), criticou a excessiva apresentação de números pela administração e cobrou "vontade" para enfrentá-los. De acordo com o presidente do Sinserpu, Cosme Nogueira, mesmo havendo algum avanço nas reivindicações específicas, a questão do índice continuará sendo a tônica da assembleia desta quarta. "Posso assegurar que o movimento vai permanecer unido pelo reajuste." Números Atendendo a pedido dos próprios sindicatos, Vitor Valverde apresentou projeção do suposto impacto do reajuste nas contas do município com base no IPCA. Considerando a manutenção do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) nos mesmos patamares do ano passado, a folha de pagamento em 2009 representaria 52,6% da receita corrente líquida de Juiz de Fora. A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) estabelece como limite máximo 54% e como limite prudencial 51,3%. Os sindicalistas questionaram os percentuais dizendo que todos os anos os governos fazem estimativas altas e quando os orçamentos são executados os índices de comprometimento com a folha caem. Para Valverde, os números são claros e não comportam especulações. O secretário voltou a mostrar o fluxo financeiro de 2009 elaborado e apresentado na segunda reunião da campanha salarial pela secretária da Fazenda, Maria Helena Leal. O documento prevê para este ano uma arrecadação menor do que as despesas, não considerando a hipótese de reajuste. Somente com a folha de pagamento do funcionalismo, a Prefeitura deve gastar R$ 313 milhões ao longo do ano. "Os números estão aí da forma mais clara possível. Se houver possibilidade de alocarmos recursos para aumentar os salários, vamos fazer, mas quero que vocês me mostrem".

Projeto é ‘ressuscitado’ e provoca embate

Depois de ser derrotada em fevereiro por 14 votos a 4, a proposta do vereador Wanderson Castelar (PT) que extinguia a remuneração por reunião extraordinária, além do 14º e do 15º salários, voltou a causar mal-estar. A polêmica começou quando o vereador Noraldino Jr. (PSC) acusou - em plenário e sem citar nome - um dos vereadores que votaram com Castelar - Flávio Cheker (PT), José Fiorilo (PDT) e Roberto Cupolillo (Betão, PT) - de ter dito a um eleitor, nos corredores do Barbosa Lima, que "a Câmara renovou pouco e mal". Segundo ele, na conversa, na sexta-feira, o parlamentar ainda teria afirmado, sobre a derrota do projeto de Castelar, que "é muito difícil votar contra a maioria". Irritado, Noraldino declarou que só o voto de Castelar foi legítimo. "Só teve um vereador que votou a favor do projeto: o nobre vereador Castelar, que renunciou a receber as verbas. Os outros abriram mão? Votar a favor quando o projeto já está previamente derrotado é demagogia."

As acusações de Noraldino foram apoiadas pelos vereadores Pastor Carlos Bonifácio, (PRB), Luiz Carlos dos Santos (PTC) e José Emanuel (PSC), que alegaram haver parlamentares usando outros como "trampolim" e querendo "colocar colegas contra a população". O "disse-me-disse" foi criticado por Betão. "Não é do meu feitio participar desse tipo de discussão, mas há algumas semanas vereadores têm se revezado para colocar 'questões enigmáticas', sem nomes. Isso para mim tem um nome: fofoca política". O petista alegou que, antes da votação do projeto de Castelar, tinha deixado clara a destinação que daria ao dinheiro extra: patrocinar a "luta de classe". Fiorilo também rebateu a acusação. "Não sei se o vereador Noraldino está ouvindo vozes do além, mas nenhum de nós participou dessa conversa". Cheker, por sua vez, esteve ausente do plenário, mas, logo que se inteirou da polêmica, afirmou que seu posicionamento era o mesmo de Betão. Passada a tensão do pequeno expediente, os vereadores aprovaram, por unanimidade, o projeto de José Emanuel que institui tolerância de dez minutos gratuitos para os carros que pararem na Área Azul. Na última semana, o vereador já havia criticado a Prefeitura por ter abolido a tolerância, afirmando que isso prejudica quem precisa de algum serviço rápido. O líder do Governo, Isauro Calais (PMN), defendeu o projeto, afirmando que ele impede que alguns agentes façam uma "industriazinha" de multas.

PSDB e PT polarizam embate político local

Ricardo Miranda* repórter

Foi na disputa pela Presidência da República em 1994 que se iniciou a polarização da cena política brasileira entre PT e PSDB. De lá para cá, apenas os dois partidos se revezam à frente do Governo e da oposição. Essa mesma alternância viria a se refletir em vários estados e cidades em todo o país, reforçando a identidade de cada lado e o consequente acirramento entre eles. Com uma defasagem de 15 anos, o embate Governo/oposição entre tucanos e petistas se instaura somente agora em Juiz de Fora, com a eleição do prefeito Custódio Mattos (PSDB) e da maior bancada de vereadores (Flávio Cheker, Roberto Cupolillo - Betão e Wanderson Castelar) da história do PT local. Para dirigentes das duas legendas, o antagonismo é salutar para democracia e bem-vindo ao cenário político local. Já os cientistas políticos da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) não veem avanço em relação a outros enfrentamentos que tiveram lugar na cidade e criticam o debate meramente político, sem nenhum viés ideológico. Numa avaliação da polarização nacional entre PT e PSDB, o professor Luiz Werneck Vianna considerou, ao falar da ausência de disputa ideológica, que os dois partidos repetem o quadro do Império, quando se dizia: nada mais parecido com um saquarema (conservador) do que um luzia (liberal) no poder. Para o cientista político Paulo Roberto Figueira Leal, a situação de Juiz de Fora difere pouco do quadro desenhado por Werneck Vianna. "Há pontos de proximidade e de distanciamento. A direita do PT e a esquerda do PSDB podem se entender com facilidade, o que não deve acontecer entre a direita do PSDB e a esquerda do PT." Ainda assim, ele considerada a rivalidade benéfica para a política local. "Quando há oposição, é claro que é salutar para o processo democrático; o problema é quando não há vozes dissonantes." A divergência, segundo o professor de política Diogo Tourino, é necessária. "Só assim temos pluralidade de opiniões." No caso específico da polarização entre PT e PSDB, ele lembra que sempre houve vontade para encontrar sinais aqui daquilo que acontece em nível nacional. "Quando isso acontece, como agora, há um gás maior para o debate." Quanto ao caráter político do enfrentamento, o professor afirma que não se pode generalizar a postura dos petistas na Câmara. "A bancada do PT não é uniforme. São vereadores com trajetórias singulares. Há aquele - caso do Betão - que tem, sim, posicionamento com viés ideológico." Paulo Roberto Figueira concorda que não dá para descartar completamente a questão ideológica em detrimento do embate político, mas volta a ponderar quanto à preponderância do último. "Não posso concordar com o Werneck Vianna para quem o PSDB e o PT são as torres gêmeas da ordem burguesa brasileira, mas considero que, a contar por suas origens e programas, esperava-se mais diálogo entre os dois partidos do que de cada um deles com seus atuais aliados." Menos condescendente com as duas siglas, os cientistas políticos Rubem Barboza e Raul Magalhães afirmam que, sim, PT e PSDB são as torres gêmeas da ordem burguesa brasileira. Pior. De acordo com Raul, reproduzir a tensão nacional no município "não leva a nada." "O enfrentamento que se faz tanto lá (em âmbito nacional) quanto cá é político e sem substância." No mesmo tom, Barboza cobra atuação propositiva dos vereadores. "O enfrentamento de hoje é político apenas. São contra a locação de caminhões, por exemplo, porque devem ser contra. O PT do Brasil inteiro aluga caminhão de lixo. Não há formulação na Câmara." Pegando carona na questão do lixo, Magalhães critica a falta de atuação dos parlamentares na questão do aterro sanitário. "O Bejani (ex-prefeito Alberto Bejani - sem partido) iniciou processo obscuro e o Custódio deu prosseguimento. Tanto essa legislatura quanto a outra nada fizeram até agora e nem vão fazer. Independente de partido, o Executivo, não só de Juiz de Fora, mas de todo país, consegue maioria com facilidade nas câmaras. Logo, logo, o Custódio vai ter a famosa 'maioria confiável'." Para dirigentes, confronto é de bom nível Os presidentes locais do PSDB, vereador Rodrigo Mattos, e do PT, Rogério Freitas, veem com bons olhos a polarização entre suas legendas na cidade. Eles consideram que os dois partidos possuem formas distintas de governar e que isso se reflete no embate. "Há, por exemplo, uma precarização da assistência social no município que vai na contramão daquilo que o PT defende. Por isso, o enfrentamento", explica o dirigente petista. Ele também defende as contestações feitas pela bancada do partido à indefinição da gestão tucana em relação ao Restaurante Popular. "É um projeto histórico do PT que certamente estaria em atividade se tivéssemos no poder." O presidente tucano até concorda que o enfrentamento tem acontecido no campo ideológico, mas restrito às discussões na Câmara. "Há respeito e cordialidade nos debates entre os vereadores em plenário. As diversidades das propostas de um lado e outro são defendidas como devem ser." Por outro lado, no entanto, ele condena as manifestações da direção local do PT em relação à atual administração. "Quando as divergências saem da Câmara, acabam ganhando cores políticas apenas. Nesses casos, o que há é uma tentativa de terceiro turno, que não nos interessa." O tucano acusa ainda a direção petista de usar a frágil situação financeira do município para tirar proveito político. Toma-lá-dá-cá Político ou ideológico, o clima entre petistas e tucanos locais, que já não era dos melhores desde o segundo turno das eleições do ano passado, "azedou" de vez com as críticas dos vereadores ou mesmo da direção do PT após os cem dias de Governo. No ataque mais direto, a direção petista divulgou nota condenando a proposta da administração de não reajustar os salários do funcionalismo. O texto trata a crise financeira da Prefeitura como "crise-desculpa-tudo" e critica o afamado choque de gestão do governador Aécio Neves (PSDB). No fim, ainda questiona quando "o PSDB pretende começar a governar a cidade". A resposta tucana veio no mesmo tom provocativo. Como mencionado várias vezes durante a campanha, o presidente Rodrigo Mattos afirmou que a situação só estava assim por conta do ex-prefeito Alberto Bejani, que teve apoio financeiro do PT. Antes, a cúpula do PSDB já havia afirmado que gostaria de saber, um dia, se os petistas saberiam governar Juiz de Fora, "pois perder eleição eles não sabem". Curiosamente, o próprio prefeito tem se mantido distante dos confrontos. Em recente entrevista a Tribuna, Custódio Mattos até sinalizou algumas respostas, mas não avançou de forma direta contra o PT. Ao contrário, elogiou alguns aspectos da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e disse que a ministra-chefe da Casa Civil e pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Roussef, representaria muito bem o país caso fosse eleita.

Consea quer rediscutir projeto

As recentes declarações do prefeito Custódio Mattos (PSDB) na imprensa sobre a suposta inviabilidade de o município levar adiante o projeto do Restaurante Popular provocaram a indignação do Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional de Juiz de Fora (Consea-JF). Ontem integrantes da entidade se reuniram para traçar uma contrapartida. “Vamos tomar providências para fazer valer os direitos da população, direitos esses garantidos por lei”, afirmou Nilton Gatte, que integra o conselho. Uma das principais críticas do Consea é a respeito dos valores de custeio do restaurante apresentados pelo prefeito. A entidade defende que os números podem ser revistos. “Tivemos uma reunião com Custódio em que argumentamos que há experiências bem-sucedidas em outras cidades. Ele prometeu avaliá-las, mas ainda não se manifestou. Em Belo Horizonte, por exemplo, cada refeição sai para a Prefeitura por R$ 2. O conselho visitou vários lugares e a conclusão é que o projeto é viável”, argumenta a presidente do Consea-JF, Bettina Koyro, que completa: “O Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) está lançando novos programas para os municípios, e uma das razões de o nosso não ter acesso a eles é o impasse em relação ao Restaurante Popular. A administração municipal precisa entender que há uma população representada pelo Consea, que conta com esse projeto”, dispara. Para Clério Koyro, que também representa o Consea-MG, a lentidão do processo, que se arrasta desde 2005, quando foi anunciada a criação do restaurante, tem frustrado o público alvo. “Estamos falando de cerca de dez mil pessoas que precisam do programa.” Sobre a polêmica acerca da localização, Bettina é categórica: “É no Centro onde há maior concentração de população de rua. O povo que se desloca para área para ir ao médico ou resolver outras questões também poderia usufruir.” Trabalhos paralisados A ideia de se implantar um Restaurante Popular em Juiz de Fora começou em 2004. No ano seguinte, a cidade ganhou a disputa para ter o projeto, quando ficou estabelecido que o Governo Federal liberaria R$ 1,4 milhões. As obras, entretanto, só começaram no final de 2007, após sucessivos adiamentos. Em junho de 2008, foram paralisadas com a prisão do então prefeito Alberto Bejani. A previsão era que o restaurante servisse três mil refeições/dia ao custo de R$ 1 cada.