A Juventude defende Redução da Jornada de Trabalho, sem redução de salários!

Por Anete Negreiros, socióloga e Henrique Almeida, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Juiz de Fora e Região

A luta pela Redução da Jornada para 40 horas semanal, sem redução de salários, pode ser considerada como uma saída para  os grandes desafios colocados aos jovens,  como a entrada no mercado de trabalho, permanência e continuidade dos estudos.

O trabalho, em geral, pode ser considerado como uma das principais vias de realização pessoal, construção de identidades e vínculos sociais, bem como produtor de conhecimento. Atualmente o trabalho encontra papel fundamental na vida dos trabalhadores,  uma vez que, apenas através da venda de sua força de trabalho é possível  garantir o acesso a bens e serviços que lhe garanta a própria reprodução da vida, assim como da sua família.            

No entanto, no momento da reestruturação produtiva impulsionada pela reorganização do capital , com a adoção cada vez maior das novas tecnologias (trabalho morto) a demanda por trabalho vivo diminui, gerando assim o desemprego. Impulsionando, inclusive, o crescimento de ocupação dos postos de trabalho precarizados e informais. Essas transformações do capital visavam reverter a situação de crise do capital. Essa revisão do modo de produção saiu muito caro aos trabalhadores, que se viram em meio a renovadas formas de exploração.            

Nesse cenário, novos sujeitos surgem no mercado de trabalho, dentre os quais os jovens. Os jovens em condições bem específicas  se lançam ao trabalho cada vez mais cedo por vários motivos, como complementar a renda familiar, sustentar sua própria família, se sustentar.            

Como sabemos, os jovens demandam, sobretudo essa entrada no mercado de trabalho no momento de sua entrada para a vida adulta, em que se exige a passagem de sua condição de inatividade para a de atividade econômica. Essa transição está sendo cada vez mais retardatárias entre jovens de classes sociais com condições financeiras boas. Os filhos dos trabalhadores e das famílias assistidas pelas políticas de estado, em geral, não desfrutam dessa realidade e se lançam em busca de um trabalho.            

Quanto mais cedo é essa entrada no mercado de trabalho, menos qualificado para tal é esse jovem, que muitas vezes abandona os bancos escolares para garantir o salário mensal. E esses postos de trabalhos ocupados por esses jovens são aqueles precarizados e informais, justificando, inclusive a grande rotatividade de ocupação nos primeiros tempos de trabalho dos mesmos. A conquista de um trabalho formal, com garantias de direitos é vista por esses jovens como a possibilidade de inserção social.             

Os jovens em condições de trabalho formal em sua maioria buscam continuar seus estudos, seja para garantir sua permanência no trabalho, seja para conquistar outra ocupação, que lhe pareça mais bem remunerada e com melhores condições de trabalho.            

Assim se configuram os dilemas dos jovens em relação ao trabalho. Segundo pesquisa realizada pelo Instituto Cidadania em parceria com a Fundação Perseu Abramo, educação e trabalho são os motivos de maiores preocupações para os jovens brasileiros. Revela que 71 % dos entrevistados afirmam que a educação é fundamental para o futuro profissional. Dentre eles, 64 % apontam o trabalho como uma necessidade e 55% como fundamental para a conquista da independência.            

Nesse sentido, a luta pela Redução da Jornada de Trabalho para 40 horas semanais, sem redução de salários, se coloca como uma saída também para os jovens trabalhadores. Na medida em que, segundo o Dieese, gerará novos postos de trabalho. Importante, ainda por limitar certas especificidades que atingem a classe trabalhadora brasileira, como a extensão (o Brasil possui uma das maiores jornadas de trabalho do mundo, limitada a 10 horas/dia no máximo, porém sem penalização ao empregador que ultrapassar), a  flexibilidade (hora extra, turnos, férias coletivas, trabalhos parciais, retirando o controle do trabalhador ao seu tempo livre, de não trabalho) e intenso (trabalhador polivalente, multifuncional, instrumentalizado pela concorrência estabelecidas entre as empresas) de tempo de trabalho no país.            

A redução da jornada de trabalho, sem redução de salário, possibilitaria maior regulação e controle das horas trabalhadas, garantindo aos trabalhadores a possibilidade de desfrutarem de seu tempo livre. Dentre as possibilidades de uso do tempo livre destaca-se a possibilidade de continuidade de formação/capacitação desses trabalhadores, sobretudo dos jovens trabalhadores que poderiam buscar continuar seus estudos, muitas vezes abandonados por causa do trabalho, bem como continuar sua capacitação na busca de sua permanência, crescimento dentro da empresa, além de buscar capacitação para outra função que lhe possibilite melhores condições de reprodução da vida, e como dito antes de realização pessoal.